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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

IVG

Dado que não sou indiferente ao tema vejo-me impelido a escrever as razões porque vou votar Sim, no dia 11 de Fevereiro. Não pretendo ser demagogo nem impor a minha opinião sobre a de alguém, como muita gente o faz, ameaçando de excomungação (??) e todo o tipo de consequências sociais.

1 - Acima de tudo prezo a liberdade de escolha do ser humano, e até admiro aqueles que realmente a exercem, admirando ainda mais aqueles que lutam por ela. Como diria Nietzsche "eu nunca iria para a fogueira por uma opinião minha, mas não hesitaria em ir pelo direito a ter uma opinião". E esta questão da IVG (interrupção voluntária da gravidez.. não é aborto..) dada a sua complexidade e moralidade inerente é, acima de tudo, uma escolha pessoal e não deverá nunca passar por uma imposição social.

2 - O feto enquanto vida? Na minha humilde opinião e conhecimentos (não peritos) de biologia o ser humano enquanto ser racional e consciente apresenta-se muito após as 10 semanas. Uma pessoa enquanto pessoa propriamente dita é constítuida pela especificidade das suas ligações neuronais. Aquilo que somos encontra-se codificado numa complexa rede de milhões de ligações sinápticas que são criadas e fortalecidas ao longo da vida. E no ínicio desse processo começamos a consciencializar-nos do "eu". Algum de vós tem memórias no útero? Antes das 10 semanas?

3 - "Sou a favor da Vida" - Este é o mote dos defensores do Não. São defensores da vida do feto mas desprezam a da mãe? A IVG clandestina representa para a mulher um risco de morte, clandestinidade essa que são sujeitas devido à lei actual. Estudos em Portugal indicam uma percentagem maioritária de mulheres que após efectuarem uma IVG acabam por ser assistidas em centros hospitalares, apresentando prognósticos graves. Só uma adenda relativa aos religiosos: nunca compreendi algo (entre outras coisas), nos ensinamentos católicos um bébé não baptizado encontra-se condenado ao inferno (pelo único crime de ter nascido e não ter sido molhado) pelo vosso deus bondoso, mas agora de repente já é uma vida sagrada?

4 - Países em que ocorreu a despenalização da IVG (Holanda e afins) existem dados que comprovam uma descida notória dessa prática, e porquê? A não estigmatização do facto e preparação de recursos para lidar com a IVG leva as mulheres a procurarem ajuda sem qualquer medo de repercussões negativas, e espantem-se, mas uma prevenção antecipada e acompanhamento psicológico da mulher durante o processo levam a que esta opte por uma posição mais positiva relativamente ao feto, tendo até apoios. Claro que não quero comparar as infraestruturas e mentalidade (especialmente esta) de Portugal com a dos países nórdicos mas um dia quem sabe...

5 - Como li há bocado no Público a verdadeira questão deste referendo passa por saber se uma mulher que possui uma gravidez indesejada deve ir a julgamento ou não?

É uma questão pessoal, moral e controversa. Isso temos que admitir, mas mesmo por ser pessoal e idiossincrática é que se deve colocar nas mãos de cada um de nós, tendo em conta as circunstâncias da gravidez e as condições para se criar uma criança feliz e que tire o maior partido da sua passagem neste mundo. Depois surpreendem-se com as notícias de maus tratos, homícidios brutais, fome, entre tantas outras...
Esta é a minha opinião, que pode ser criticável por alguns de vós, mas é a minha opinião, e é dado a isto e muito mais que dia 11 estou lá a colocar uma cruz no Sim.

1 Comments:

Blogger Luís Pereira said...

Este comentário foi removido pelo autor.

sábado, 3 de fevereiro de 2007 às 22:22:00 WET

 

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